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Me chamo Rafael, trabalho em um site de acompanhantes Belo Horizonte, e depois de alguns anos ouvindo histórias e conhecendo todos os tipos de garotas que vocês possam imaginar, acho que tenho algumas coisas a dizer sobre a prostituição no Brasil.

O Brasil é um dos países que permite a prostituição, mas não a regulamenta, e as mais afetadas e maiores vítimas dessa falta de regras são as mulheres que fazem desse trabalho a sua profissão.

Sejamos francos, essa é a profissão mais antiga do mundo, e não vai ser agora, por causa do moralismo e da intolerância, que ela deixará de existir. O mercado do sexo pago nunca foi tão amplo como atualmente e a tendência é que continue se expandindo cada dia mais.

São inúmeras as razões que levam as meninas a trabalhar como acompanhantes, e não se engane, nem caia nos clichês banais que dizem que elas foram abusadas fisicamente, estupradas, ou que são forçadas a isso. Claro que esses casos existem, não estou dizendo que não, mas isso acontece cada vez menos.

Hoje em dia as acompanhantes escolhem essa profissão como escolhem qualquer outra, de forma planejada, consciente e objetiva. Mas não é exatamente esse o foco do texto. Voltemos ao assunto principal.

Segundo as garotas de programa, a violência vem da ilegalidade.

Quando uma mulher decide ser garota de programa ela não pode ir em uma empresa que contrata acompanhantes e fechar um contrato ou ter a sua carteira de trabalho assinada, auxílios, benefícios, receber direitos trabalhistas… Nessa situação ela também não pode lutar por melhores condições de trabalho, melhores salários, contratos mais vantajosos e direitos mais abrangentes. Está fadada a trabalhar em um mercado ilegal e sem regras.

Citarei a proibição do álcool nos Estados Unidos, no início do século passado, apenas como fator de comparação. Essa situação arruinou toda a indústria de bebidas que era adequadamente regularizada, seguidora das leis daquele país e pagadora assídua de impostos. Tudo isso em prol de um sentimento moralista. Mas isso não eliminou os bares e as cervejarias, apenas os levou para a clandestinidade, gerenciados por gangsters, que por sua vez, não pagavam impostos, não tinham regras e não seguiam leis. Os criminosos ficaram cada vez mais ricos e influentes.

É exatamente isso que acontece, quando se trata da prostituição. Apesar de nossas leis proibirem que empresas explorem o mercado do sexo pago, ele não deixa de existir, ele se mantém na ilegalidade, criando raízes que se firmam cada dia mais, e como todas as atividades ilícitas, essa também se torna mais violenta.

Existem cafetões que cobram taxas abusivas, agridem as acompanhantes e até as obrigam a fazer uso de drogas, provocando traumas irreparáveis. Qual atitude vocês acham que elas devem tomar? Se acreditam que elas devem denunciá-los, peço que analisem a situação mais uma vez.

Não é tão simples. Imagine o que elas vão fazer depois… Correm o risco de serem agredidas. E será que conseguirão ser agenciadas por outra pessoa depois disso? Será que as pessoas vão descobrir que ela é uma garota de programa? E pior, será que a denúncia terá algum resultado prático? Ou ela sofrerá represálias por denunciar? O preço cobrado por atitudes como essa é alto, e existem casos de garotas que pagaram com a própria vida.

Com frequência se ouve falar em subornos que os cafetões pagam para a polícia para serem deixados em paz, e nos métodos agressivos usados para manter as garotas de programa trabalhando como eles querem. Esse é o tipo de coisa que, apesar de muito me incomodar, já não me surpreende mais. Como o mercado não é legalizado, tudo pode acontecer. São pouquíssimas as moças que ousam desafiar esse sistema pois. Optar por ir contra esse esquema pode ser um caminho sem volta.

Evidente que também existem agentes corretos, que não exploram as acompanhantes com taxas exorbitantes e nem são violentos ou abusivos, e acredite em mim, não são poucos. Estes são os que gostariam de se regularizar, de pagar impostos, seguir regras e leis, melhorando as condições das acompanhantes que trabalham com eles. Mas são impedidos de fazer isso pelas nossas leis moralistas ao mesmo tempo em que precisam se manter no mercado com concorrentes nada éticos, como os citados acima.

Presas a essa dura realidade, estão as mulheres, acompanhantes e garotas de programa que pagam um alto preço por nossos princípios e conceitos morais, sendo subjugadas por um mercado ilegal, correndo riscos e sem perspectiva de conseguirem aumentar sua renda e melhorar suas condições de trabalho. Nós, sociedade, as condenamos a isso.

Em contrapartida existem as acompanhantes autônomas, que trabalham por conta própria e são independentes. Elas surgem cada vez em maior número e investem em ensaios fotográficos, vídeos, anúncios em sites de acompanhantes, como o Garota Linda em Belo Horizonte, e apartamentos bem localizados. Mas, obviamente os custos são extremamente altos, o que limita muito o acesso ao trabalho autônomo. Muitas acompanhantes, por mais que se esforcem, não conseguirão chegar a esse nível e apenas sonham com essa possibilidade inatingível.

Nova Zelândia, Holanda, Alemanha, Bélgica, Suíça, Dinamarca e Áustria são alguns dos países que já regulamentaram a prostituição e ganharam muito com isso, não apenas em impostos e geração de empregos em empresas legais que investem nesse mercado, como em saúde, e principalmente na qualidade de vida e de trabalho das mulheres que são acompanhantes e garotas de programa. Quando será a nossa vez?

Por fim, gostaria de esclarecer que o Garota Linda não agencia garotas de programa, somos apenas um site de anúncios. Somos totalmente contra a qualquer tipo de abuso ou violência. Condenamos e desprezamos todo tipo de exploração das meninas e repugnamos ao extremo a pedofilia.

É preciso fazer essas afirmações sempre que se discute o mercado de prostituição, para evitar mensagens que tenham como intuito ferir a imagem das meninas, distorcer o que foi dito ou propagar o ódio. Mas deixo claro que somos contra o discurso moralista que impede que o nosso país legalize e regulamente o mercado do sexo pago.

Desejamos que haja cada vez mais debates saudáveis e pessoas que se interessem por assuntos que girem em torno desse tema.

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15
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